Sem Hezbollah à mesa, pressão recai sobre governo libanês
Líbano – Em 14 de abril, representantes libaneses e israelenses voltaram a se sentar frente a frente em Washington após mais de três décadas, mas o esperado debate sobre cessar-fogo ficou de fora da pauta, levantando incertezas sobre o real alcance do encontro.
- Em resumo: conversas duraram duas horas e focaram no desarmamento do Hezbollah, ausente na reunião.
Rubio mira desarmar Hezbollah, não encerrar fogo
À saída do encontro, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o objetivo é “criar um quadro permanente” para conter a influência do grupo libanês apoiado pelo Irã. Segundo o diplomata, “todas as complexidades não serão resolvidas em seis horas, mas podemos dar o primeiro passo”. De Israel, o embaixador Yechiel Leiter reforçou: “Estamos unidos em libertar o Líbano de uma potência ocupante chamada Hezbollah”.
Analistas ouvidos pela agência Reuters questionam se a ausência de uma trégua não inviabiliza qualquer avanço concreto enquanto ataques continuam na fronteira.
“É difícil imaginar que essas negociações alterem o curso das operações militares, que definem o ambiente diplomático”, avaliou Steven Simon, ex-conselheiro do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
Impasses históricos e riscos regionais
A paralisação do exército libanês e o veto do Hezbollah a qualquer desarme enquanto houver “ameaça israelense” alimentam o impasse desde 2024, quando um acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA foi repetidamente violado. Nas últimas seis semanas, mais de 2 000 libaneses morreram em bombardeios israelenses, acirrando a pressão interna sobre o governo de Nawaf Salam e o presidente Joseph Aoun.
Economistas temem que, sem trégua formal, o Líbano perca a oportunidade de desbloquear pacotes de reconstrução prometidos por Washington. Já diplomatas lembram que o último diálogo direto, em 1996, fracassou justamente por não incluir os atores armados que controlam o sul libanês.
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Crédito da imagem: Kevin Lamarque / Reuters