Discurso emotivo do indicado reforça defesa do Supremo e acena a senadores
Jorge Messias — advogado-geral da União e escolha de Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal — foi sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça, na última quarta-feira (29), sob forte expectativa política.
- Em resumo: Ele chorou ao relembrar a infância, afirmou ser “totalmente contra” o aborto e disse que o STF precisa permanecer “aberto ao aperfeiçoamento”.
“Guardião da Constituição”: compromisso reiterado perante a CCJ
Ao longo de quase oito horas, Messias sustentou que o tribunal atua como “sentinela da ordem democrática”, expressão também usada em decisões recentes do Supremo, segundo a Reuters. A fala buscou blindar a Corte de críticas que cresceram durante a última década, quando temas sensíveis — orçamento secreto, marco temporal e fake news — dividiram Congresso e opinião pública.
“A credibilidade do STF é um compromisso e uma necessidade. Precisamos que se mantenha aberto permanentemente ao aperfeiçoamento”, declarou o indicado.
O que ainda pode travar a chegada de Messias ao plenário da Corte
Caso receba o aval de maioria simples da CCJ, o nome de Messias segue para o plenário do Senado, onde serão exigidos 41 votos favoráveis. Desde 1988, apenas um indicado foi rejeitado; ainda assim, às vésperas da votação, analistas veem margem apertada, já que bancadas conservadoras cobram posicionamento mais duro sobre temas como descriminalização das drogas e decisões monocráticas.
Ao se colocar “contra o aborto” mas defender uma “abordagem humanizada”, Messias tenta dialogar com esses grupos sem contrariar pautas progressistas do governo. O movimento lembra a estratégia de Barroso, Fachin e Zanin, que também calibraram discursos em sabatinas anteriores para evitar desgaste político.
O que você pensa? A postura de Messias será suficiente para garantir os 41 votos? Para acompanhar cada avanço desse processo, acesse nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Senado Federal