De Pontes de Miranda a Celso de Mello, os nomes que moldaram o discurso do indicado de Lula
Jorge Messias – atual ministro da Advocacia-Geral da União e indicado de Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal – usou uma cadeia de referências históricas durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, nesta quarta-feira (29), para defender uma atuação plural no tribunal.
- Em resumo: Messias citou Rui Barbosa, Ariano Suassuna e outros quatro intelectuais para sustentar sua visão de “magistratura multidisciplinar”.
Citações estratégicas que ecoam na política
Logo na abertura, o indicado retomou a máxima do jurista Pontes de Miranda – “Quem só sabe Direito, nem Direito sabe” – para justificar a necessidade de julgar além do tecnicismo. Em seguida, evocou Rui Barbosa ao lembrar que “a política é a higiene dos países moralmente sadios”, ligando sua passagem pelo Senado a valores republicanos. A tática de recorrer a figuras consagradas já foi usada em sabatinas anteriores, segundo levantamento da agência Reuters, e costuma criar empatia imediata com parlamentares.
“’O tempo duro tudo esfarela’, como inspira o mestre Ariano Suassuna”, citou Messias ao falar do papel do STF em proteger direitos mesmo sob pressões conjunturais.
Por que a retórica importa para o avanço da indicação
Além de demonstrar erudição, o discurso sinaliza ao Senado compromisso com transparência e ética, atributos reforçados quando Messias mencionou artigo de Celso de Mello intitulado “A democracia começa pela ética dos juízes”. A estratégia é decisiva: desde 1988, nenhum nome indicado ao STF foi rejeitado, mas votações apertadas – como a de 2017, aprovada por 55 × 13 – mostraram que cada detalhe pesa.
Outro ponto relevante é a escolha de referências nordestinas, caso de Suassuna, que dialoga com a base política de Lula e com senadores da região. Ao combinar eruditos do Direito e da cultura popular, Messias reforça a imagem de magistrado acessível e plural – linha que o Palácio do Planalto aposta para neutralizar resistências na oposição.
O que você acha? A estratégia retórica de Messias será suficiente para garantir a aprovação no plenário? Para mais análises de bastidores, acesse nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters