Promessas grandiosas chocam com a realidade fiscal e podem pesar no seu orçamento
Lula abriu a temporada eleitoral de 2026 prometendo obras e programas robustos, mas sem mencionar cortes de gastos – um silêncio que reacende o debate sobre o custo real dessas promessas para a economia brasileira.
- Em resumo: Candidatos evitam falar em austeridade para não frear pacotes de benefícios em ano de voto.
Austeridade some dos palanques
No calor da campanha, líderes governistas e oposicionistas concordam em uma coisa: gastar mais. Especialistas lembram que, quando o Tesouro gasta sem limite, a conta aparece na dívida pública e nos juros. Segundo levantamento recente da agência Reuters, o Brasil já destina cerca de 5% do PIB apenas para rolagem da dívida — dinheiro que poderia ir para saúde ou educação.
“Meus queridos, não se distribui aquilo que ainda não existe”, ironizava Delfim Neto, lembrando que crescer vem antes de dividir.
Redução da jornada 6×1: quem paga essa conta?
O projeto que extingue o sistema 6×1 deve ir a voto ainda neste semestre. Embora sedutora, a medida pode elevar custos trabalhistas em até 15%, de acordo com cálculos da Confederação Nacional da Indústria. Países da OCDE que adotaram semanas mais curtas só o fizeram após décadas de ganhos sustentados de produtividade — algo que o Brasil ainda persegue.
Juros altos são causa ou consequência?
Muitos candidatos culpam bancos pela Selic de dois dígitos, mas ignoram que o prêmio de risco dispara quando o mercado duvida da capacidade de pagamento do Estado. Para fechar as contas, leilões diários de títulos incham a dívida e empurram a taxa para cima, completando um ciclo vicioso que afeta diretamente o crédito do consumidor.
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Crédito da imagem: Divulgação / O Sul