Falha na proteção expõe vulnerabilidade de vítimas e pressiona autoridades
Polícia Civil investiga, desde a manhã de terça-feira (21), o assassinato de uma jovem de 24 anos em Sapucaia do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre, após a revogação de uma medida protetiva contra o próprio companheiro, principal suspeito que segue foragido.
- Em resumo: 27º feminicídio de 2026 no RS ocorreu semanas depois de a vítima retirar a queixa.
Histórico de ameaças ignorado termina em tragédia
Documentos obtidos pela investigação mostram que, em 30 de março, a vítima registrou boletim por dano e injúria e solicitou urgência na proteção. Nove dias depois, porém, ela pediu ao Judiciário que cancelasse a medida. Segundo o delegado Fabiano Kepp, a revogação “criou uma janela de risco que foi explorada pelo agressor”. A escalada de violência doméstica, apontam especialistas, costuma se intensificar quando há rompimento ou tentativas de afastamento. Uma reportagem da GZH destaca estudos que relacionam feminicídios a falhas na rede de apoio.
“O histórico policial do casal já indicava vulnerabilidade; nossas equipes trabalham para localizar o investigado o quanto antes”, declarou o delegado Kepp.
Números alarmantes e impacto social
Com 27 feminicídios registrados apenas em 2026, o Rio Grande do Sul mantém uma média superior a dois casos por mês, segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública. Em 2025, foram 97 ocorrências no estado, refletindo um aumento de 5% em relação ao ano anterior. Organizações de direitos humanos alertam que a revogação de medidas protetivas sem avaliação de risco aprofundada pode ampliar a letalidade.
Além da perda irreparável, dois filhos — de dois e cinco anos — ficam órfãos e devem ser acompanhados por assistência social municipal. O Tribunal de Justiça gaúcho estuda implementar, ainda em 2026, um sistema de monitoramento eletrônico de agressores reincidentes, prática já adotada em São Paulo e Minas Gerais para reduzir casos semelhantes.
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Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Civil