Reforma relâmpago atinge órgãos no epicentro dos maiores escândalos financeiros do país
Ricardo Couto — governador interino do Rio de Janeiro desde a última segunda-feira — removeu a cúpula de três pilares da administração fluminense depois que aplicações bilionárias em negócios investigados vieram à tona.
- Em resumo: Chefes da RioPrevidência, Cedae e PGE perdem o cargo em menos de 24 h.
Caneta pesada após aval do STF
A ofensiva só ganhou corpo depois de um pedido de vista coletivo no Supremo Tribunal Federal que, na prática, garantiu “plenos poderes” a Couto até a definição do formato da próxima eleição. O primeiro a cair foi Nicholas Cardoso, presidente interino da RioPrevidência, fundação que chegou a investir R$ 1,2 bilhão no Banco Master, pivô da maior fraude bancária brasileira. Na sequência, o comando da Cedae — responsável por depósitos de R$ 200 milhões na mesma instituição — e o procurador-geral do Estado, Renan Saad, também foram dispensados. De acordo com a agência Reuters, o Rio soma uma longa lista de gestores investigados por decisões financeiras temerárias.
“As exonerações começaram nos órgãos que estão no olho do furacão do escândalo do Master”, afirmou um auxiliar próximo ao governador interino.
Por que essas trocas importam para o contribuinte?
O caixa da RioPrevidência sustenta o pagamento de aposentadorias de 160 mil servidores; já a Cedae responde pelo abastecimento de água de 8 milhões de moradores da Região Metropolitana. Qualquer rombo nesses cofres amplia o risco fiscal de um estado que, segundo dados da Secretaria de Fazenda, ainda luta para cumprir o Regime de Recuperação Fiscal iniciado em 2017. No caso da PGE, a manifestação favorável à Refit — maior devedora de ICMS do país — poderia emperrar a cobrança de uma dívida superior a R$ 10 bilhões.
Com as cadeiras vagas, Couto promete anunciar gestores “sem vínculos políticos” ainda nesta semana. Analistas veem a movimentação como tentativa de estancar perdas e sinalizar transparência a investidores, num momento em que o mercado exige garantias de boa governança para continuar financiando projetos de infraestrutura no estado.
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Crédito da imagem: Divulgação / TJ-RJ