EUA cogitam expulsar Espanha da Otan após recusa a guerra com Irã

ELIANE RIBAS SCHEMELER
3 Leitura mínima
US President Donald Trump gestures during a meeting with Lebanon's Ambassador to the US, Nada Hamadeh Moawad, and Israel's Ambassador to the US, Yechiel Leiter, at the White House in Washington, DC on April 23, 2026. US President Donald Trump met Lebanese and Israeli envoys at a new round of peace talks Thursday, with Beirut seeking a one-month extension of a shaky ceasefire set to expire. (Photo by Brendan SMIALOWSKI / AFP)

Documento interno detalha possíveis sanções inéditas dentro da aliança militar

Estados Unidos – Um e-mail confidencial do Pentágono, obtido recentemente pela Reuters, descreve planos para “punir” aliados da Otan que não apoiem uma eventual ofensiva contra o Irã, inclusive a expulsão da Espanha do bloco militar.

  • Em resumo: Washington avalia retaliações diplomáticas e estratégicas contra parceiros considerados “pouco colaborativos”.

Pentágono fala em “punição exemplar”

Segundo o documento, outras medidas em discussão incluem reconhecer as reivindicações argentinas sobre as Ilhas Malvinas e vetar países “difíceis” em cargos de prestígio dentro da Otan. A agência Reuters contextualiza que a ideia responde à frustração do presidente Donald Trump com a resistência europeia a uma campanha militar contra Teerã.

Entre as opções, está “expulsar a Espanha da Otan caso Madrid siga negando apoio militar às operações contra o Irã”, descreve o e-mail analisado pelos oficiais do Departamento de Defesa.

Por que a ameaça coloca a Otan em xeque

Especialistas lembram que a Carta da Otan não prevê mecanismos claros para expulsar um membro, o que tornaria a iniciativa sem precedentes. Além disso, a Espanha abriga bases aéreas estratégicas para operações no Mediterrâneo. Caso Madrid seja afastada, analistas veem risco de fragmentação interna semelhante à crise vivida em 1966, quando a França deixou o comando integrado.

A tensão também reacende o debate sobre a contribuição financeira dos membros. Washington responde por cerca de 70% do orçamento aliado, enquanto países do sul da Europa, como a Espanha, investem abaixo da meta de 2% do PIB em defesa. Esse desequilíbrio tem sido, segundo Trump, “uma conta que os EUA não vão mais pagar sozinhos”.

O que você acha? A Otan sobreviveria a uma sanção sem precedentes a um de seus integrantes? Para mais análises geopolíticas, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

Compartilhe este artigo