Resistência no Senado expõe disputa entre fé e poder na próxima vaga do Supremo
Jorge Messias – cotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a cadeira aberta no Supremo Tribunal Federal – viu sua articulação avançar fora de Brasília, mas esbarrou recentemente na barreira política imposta por influentes líderes evangélicos dentro e fora do Congresso.
- Em resumo: pressão da bancada evangélica ameaça inviabilizar a aprovação do nome de Messias, autodeclarado “servo de Deus”.
Por que a bancada evangélica reagiu tão rápido
A Frente Parlamentar Evangélica sinalizou, nos bastidores, que poderia votar em bloco contra o indicado de Lula. Fontes ouvidas pela CNN Brasil relatam que o grupo desconfia da “agenda progressista” atribuída ao atual advogado-geral da União.
“Sou um servo de Deus e defensor da Constituição”, afirmou Messias, tentando desarmar críticas sobre seu alinhamento ideológico.
Como a disputa mexe com o tabuleiro político
A indicação ao STF precisa de 41 votos no plenário do Senado. Com 18 senadores oficialmente ligados a igrejas evangélicas, Lula não pode ignorar o grupo – especialmente após a votação apertada que levou Cristiano Zanin ao tribunal neste ano. Caso a resistência persista, o Planalto deverá redobrar negociações, inclusive oferecendo espaço em ministérios ou autarquias para angariar apoios.
Especialistas lembram que, desde 2003, presidentes evitam confrontos diretos com bancadas temáticas quando o assunto é Supremo. Em 2011, por exemplo, Dilma Rousseff costurou apoios com católicos antes de formalizar a indicação de Luiz Fux. O episódio atual reforça o peso das lideranças religiosas também fora do campo moral: elas passaram a influenciar pautas fiscais, ambientais e, agora, constitucionais.
O que você acha? A rejeição da bancada evangélica deve mudar o nome escolhido por Lula para o STF? Para mais análises de bastidores, acesse nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters